terça-feira, 26 de setembro de 2017

ORAÇÃO AO SENHOR DO TEMPO




ORAÇÃO AO SENHOR DO TEMPO

Meu Pai Eterno, Senhor de meus dias;
gestor e administrador do Tempo de minha vida.
Ensina-me Pai, a contar os meus dias e aproveitá-los
tornando-os úteis, não somente a mim sede dos sentimentos pessoais,
mas de forma a tornar outras pessoas úteis a elas mesmas,
para que se tornem multiplicadoras divulgando os milagres que Tu operas
em nossa vida por intermédio do nome sagrado de Jesus Cristo Nosso Salvador.

Dias tenebrosos encontrei nas primeiras décadas de minha vida,
onde conheci a existência do sombrio Vale da Sombra da Morte,
e do campo de ossos secos, os mares tempestuosos e ondas gigantescas
que me davam pavor; sem vislumbre de um farol, sem lume, barco à  deriva.

Minha esposa e as duas crianças já estavam passando por necessidades básicas.
Há mais de quatro anos o governo do Estado-SP não dava aumento à corporação,
nem acompanhava a reposição para uma inflação galopante.

Nada pior para um homem em retirar uma moça de sua casa
e não conseguir dar-lhe ,e às crianças, o mínimo; e começar a viver de favores
de uma só irmã biológica mais caridosa.
Éramos seis irmãos, quatro homens duas mulheres, todos os cinco restantes
tinham situação financeira estabilizada e casas próprias,
eu nada tinha, pagava aluguel, em uma casa sem água corrente (cisterna) nem luz (usava lampião)
A esposa, retirava água do poço para as necessidades básicas e envergonhadamente,
aceitava a ajuda de seus pais.
Tudo feria muito fundo em meu coração.

‘Senhor são estas coisas, agora amargas lembranças,
que pedia  removeres de mim e que perguntava-Te até quando iria suportar...’

Paro para pensar Senhor, quando Te inquiri:
- Por que Pai, por que, no exato dia de maior alegria da vida de um homem e de uma mulher,
quando ambos iriam se tornar uma só alma, eis que o altar ao qual me ajoelhava
se transmudou em  um abismo sem fundo?
Tudo se transformou em um poço de lágrimas e indescritível tristeza...
Nesse dia antes de entrar no Templo...
Meu querido e amado pai, morria.

Em um de meus escritos, sob a luz da inspiração, esta faculdade abençoada,
que tu me concedes - tempos após -, perguntei a razão das grandes tristezas...
E Tu Senhor dos Céus, da Terra, do Mar e da Eternidade, me fizeste perguntar ao Tempo...

Concluí erroneamente ser isso, um pensamento filosófico que me ocorrera.
Mesmo assim, fiz a pergunta de onde me encontrava: “Quanto ainda vais durar ó Tempo
a me castigar, com agonias, tristezas e amargas lembranças?”
O Tempo respondeu dentro de mim mesmo: “Deixe-me apenas passar...!”

Sai do Templo, confuso com aquela breve resposta-pensamento.
Mas surpreendentemente tudo realmente passou na minha vida...
Não fora um mero pensamento.

Na década seguinte concluí a duras penas - crédito educativo - a faculdade de direito.
Fui aprovado em um concurso interno para sargento [era um simples cabo] um ano e oito meses após, fui aprovado também em um concorrido concurso, com candidatos de todo o Estado, para oficiais da PMESP. Lembro -me bem do título da redação da prova de Língua Portuguesa:
“A Verdade é Imutável, Incorruptível e Eterna”. Tinha peso “seis”, eu o tirei.

Um dos requisitos além do “excepcional comportamento” era ter Curso Superior,
havia terminado a Faculdade de Direito e Ciências Jurídicas e Sociais  na Unipinhal.
Após este curso de Oficiais já era segundo tenente.
Fiz diversos cursos de aperfeiçoamento em trânsito na Polícia Rodoviária Militar,
no Policiamento de Trânsito e Radio-Patrulhamento Aéreo com vistas ao Trânsito e suas decorrências, tornando-me um especialista.
Fui contratado pelo Senac, onde lecionei por dezessete anos todas as matérias pertinentes ao trânsito, em várias cidades da região geográfica de Campinas, Piracicaba, São João da Boa Vista, Americana e Limeira. Também requisitado e remunerado como palestrante em empresas e entidades públicas e privadas.

Minha vida mudou radicalmente, somente com persistência, muito esforço pessoal,
força de vontade, incentivo e resignação da esposa, em minhas ausências para os cursos,
E, sobretudo a Fé incontestável de ambos no Eterno e Senhor do Tempo.

Já havia passado dos quarenta anos, não era mais criança e a exigência dos cursos militares tomam por base a resistência física, onde concorri com pessoas bem mais jovens de força física e biológica natural, e, ou os acompanhava ou daria adeus ao Curso de Oficial e a oportunidade de melhora  na carreira e na vida.

Fui promovido a primeiro tenente e depois a capitão. Já estando a trinta e dois anos na Corporação,
em serviço de alto risco, não quis esperar mais tempo para uma promoção a major.

Ó meu Pai Eterno, Senhor de meus dias; gestor e administrador do Tempo de minha vida,
bem que meu pai terreno dizia:

“Peças a Deus Paciência e Sabedoria, Luz a teu caminho para esperar e entender o Tempo”.
Assim a partir daquela voz interna, ajustei o leme e a posição das velas de meu barco obedecendo ao Vento que sopra do Alto.

O maior prêmio e incentivo para tudo em minha vida, sempre veio e vem da voz de minha esposa que me diz: “Você venceu, eu e os filhos nos orgulhamos de ti.

Obrigado Senhor por tudo e por seres o Senhor Absoluto do Tempo e o Grande Cuidador de minha existência!

AMÉM!


NADA É MEU, NADA É SEU
Nada é meu, nada é seu.
Eu pensava que tivesse alguma coisa,
mas tenho que pagar a vida toda
por algo que está no meu nome, mas não é meu. 
Meu carro não é meu, minha casa não é minha,
meus objetos também não são meus.
Tenho que pagar por tudo depois de já ter pago
e continuar pagando impostos sobre tudo
como se fosse prestação ou licença
para poder usar aquilo que deveria ser meu.
IPTU, IPVA, Licenciamento do carro, Seguro obrigatório...
Para usar a estrada que ajudei a pagar
com os meus impostos tenho que pagar pedágios.
Pago escola, saúde e segurança e praticamente
nada recebo em troca, pois os serviços em meu País
são péssimos.
Além de pagar tudo sem receber nada em troca
ainda sou roubado descaradamente pelos políticos
que só fazem leis para delas tirarem proveito
e se enriquecerem cada vez mais.
Eu fico me perguntando: por que continuo pagando
se nada recebo em troca?
Porque sou trouxa, porque sou feito de trouxa
e vou carregar sempre essa alcunha de trouxa.
Cícero Alvernaz (autor) 07-07-2017.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

CORTA PRA MIM!

"CORTA PRA MIM!"

Não sou muito dado a homenagear, fazer homenagens e oferecer algum tributo a alguém ou a alguns, principalmente quando não conheci essa pessoa, nem ela me conheceu. Prefiro guardar o meu sentimento, a minha gratidão e deixar que o coração fale por mim. Ontem, dia 17-09-2017, tive um dia triste, fechado, parado, denso e tenso. Não saí, pouco escrevi e me perdi em lembranças e recordações deixando pairar as emoções que se impunham sobre mim. À noite, quando a mente desacelera um pouco, pude pensar melhor e sentir com mais clareza a "perda monstro" que o nosso País teve com o anúncio da morte do jornalista, repórter-investigativo e apresentador Marcelo Rezende, que comandou por muitos anos um programa que, apesar do seu teor investigativo-policial, era líder de audiência na emissora. Com seus bordões, seu jeito engraçado e sério, sua inteligência, capacidade e genialidade, Marcelo abraçava o País denunciando mazelas, tocando nas feridas abertas com seu jeito especial, sua experiência de tantos anos em programas do mesmo teor e audiência em outra emissora de televisão. Tornei-me um fã de Marcelo Rezende, comprei o seu livro "Corta pra mim" logo após o seu lançamento, o li com avidez e acompanhei assim a trajetória do maior repórter policial que o Brasil já teve. Falar de certas pessoas, ou escrever sobre algumas pessoas não é tarefa fácil, pois muitas vezes somos traídos pela emoção que teima em chegar e tomar a nossa consciência, o nosso raciocínio. Isto não é exatamente uma homenagem, mas uma lembrança que eu quero registrar, documentar e compartilhar. A vida é assim, sempre foi assim como num jardim onde flores murcham, se secam para dar lugar a outras que, igualmente, vão continuar embelezando e perfumando o ar e o espaço entre os canteiros e os caminhos. Saudade...
18-09-2017.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

TREM DA AMIZADE
Lá vou eu, lá vamos nós,
Vamos juntos numa voz,
Agora sim é emoção
No balanço da canção.
Vamos juntos neste trem
Do Rio Grande a Belém,
Caminhando sem parar
Sem ter pressa de chegar.
Agora sim nesta canção
Vamos cheios de emoção
De São Paulo ao Maranhão
Com amor no coração.
Agora sim lá vamos nós,
Vamos juntos numa voz,
Tanto riso, tanto sonho,
Vai comigo, vou contigo,
Eu só levo bons amigos,
Bons amigos vão comigo...
Vão comigo
Vão comigo
Vão comigo
Vão comigo
Vão comigo
Vão comigo...

22-06-2007.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

A EFÊMERA NÉVOA DO AMANHECER






A EFÊMERA NÉVOA DO AMANHECER
“Infinitamente belo, insuportavelmente efêmero.”
                                                                     Rubem Alves


O mistério da vida é talvez maior que o da morte,
eis que a vida existe mas por si mesma não subsiste.
A nefasta morte que também existe - persiste e não desiste -
antiga como a própria sombra da noite, ela resiste.
Vai-se a vida para a morte existir.
Hoje, tantos anos depois, onde a noite dos tempos me separa
do Anjo que me fez sonhar e ser o que sou,
não tenho glórias para mim, mas para meus filhos e netos.
Rememoro em verdade a importância de sopesar a existência.
Passamos uma longa vida na ilusão de reter a sabedoria
sendo que ela nos é volátil como a efêmera névoa
do brilhante amanhecer.






“E tudo que era efêmero se desfez. E ficaste só tu que é eterno”

[Cecília Meireles]

*


Efêmero, do grego “ephémeros” significa “apenas por um dia”. De forma geral o termo efêmero é associado a tudo que é passageiro, transitório, fugaz, de curta duração.

*



Tentar reter o tempo, parar a vida, eternizar-se jovem, é sofrer anunciadamente, é a busca pelo efêmero...
A luz, as nuvens, a névoa, a chuva,
embora sejam apenas um instante mágico dentro da eternidade,
por elas podemos dialogar com o eterno.
Para a contemplação e deleite de nossos olhos
postam-se diante de nós as rochas,
as montanhas, os vales,
passam a terra, o ar, as águas e o fogo, mas o Eterno subsiste.



Toda a grandiosa beleza da Criação beleza das montanhas,
vales, mares, céus em cores, nuvens navegando
na plenitude do azul do firmamento.
Precisaríamos de milhares de vidas longas para apreciar um mínimo das maravilhas, somente de nosso planeta.

As cordileiras, os fiordes, as rochas, os abismos oceânicos estão sempre lá, mas como toda obra prima de arte sofrendo a intervenção do Artista. Elas - todas as obras - são o palco, não o enredo da peça. Como explicar, descrever uma flor para nossa alma e coração? O voo do beija-flor, o mimetismo do camaleão? Não cientificamente, sem equações ou gráficos, nem busca da lógica e encaixe forçado na razão, como se tentar colocar uma catedral dentro de uma capela... Simplesmente admirá-los, observá-los para senti-los: criamos o enredo, damos movimento à nossa história, cores à aquarela da alma, que nos valem a vida.

Nossos sentimentos - sensações - vão para o eterno na rápida viagem de todo esse milagre lento qual fosse um século, breve qual fosse uma hora.
O que constrói as grandes paisagens vividas é a luz refletida, filtrada em raios multicoloridos por entre as nuvens, a névoa, as expressões e gestos de pessoas que povoam nossa existência, ou até mesmo o conhecimento, o olhar e estado de espírito de cada um de nós caminhantes. O subjetivo, o efêmero... é a essência, do corpo que nos envolve na aquiescência de nossa alma.

                                       *






Somos maus aprendizes da arte de conhecer o mundo; lembremo-nos quantas vezes nós dizemos de pronto que ele nos engana...!

Um esquilo, por exemplo, está na hierarquia do tempo de existência como fossem instantes, e estoca o necessário para sua vida e seus filhotes.
Não há desperdício de tempo, pois não há consciência do tempo para lhe fazer falta.

Nós outros, no entanto, desperdiçamos o tempo afetivo jogando-o como lastros ao mar; antes, muito antes, de o navio porventura vir a naufragar!

Se vivêssemos a vida - da forma dos esquilos e das borboletas -
constataríamos que o tempo não existindo, o iríamos ter para uso, com sobra. No entando nós humanos com a noção do tempo, não temos tempo para nada...

[M.Martins Santos]


sexta-feira, 18 de agosto de 2017

POETAS-TROVADORES UBETEANOS NA ACADEMIA GUAÇUANA DE LETRAS

Em 1956, Luiz Otávio, o criador da UBT– União Brasileira de Trovadores – reuniu duas mil trovas de “Meus Irmãos, os Trovadores”, dispersos por todo o Brasil, naqueles tempos em que ninguém podia sequer imaginar as facilidades de hoje com a televisão, os endereços eletrônicos, celulares, etc. Assim surgiu a primeira coletânea de trovas líricas e filosóficas, com o objetivo de tornar esse Gênero Poético mais conhecido e amado e, por tabela, divulgar a UBT.

Em 2016, para comemorar o Centenário do “Príncipe dos Trovadores”, a Presidente Nacional da UBT, Domitilla Borges Beltrame, conseguiu coletar mais de  duas mil e setecentas trovas líricas e filosóficas no livro “Meus Irmãos, os Trovadores”, Vol.II – sem ônus  para os participantes, prováveis adquirentes de seus exemplares, por apenas R$50,00 cada, mais o frete. Neste segundo volume constam duas a três trovas de 16 (dezesseis) Trovadores Ubeteanos de M.Guaçu, 8 (oito) dos quais são “nossos acadêmicos”.

Agora, em 2017, completando essa invejável proeza, a polivalente equipe de Domitilla Borges Beltrame acaba de lançar “Meus Irmãos, os  Trovadores”, Vol.III – HUMOR, com a participação corajosa de 5 (cinco)  “nossos” Poetas-Trovadores, porque “para a UBT, a difícil arte do humorismo é assunto sério”, como afirma Therezinha Dieguez Brisolla. E Elisabeth Souza Cruz completa: “Se rir é o melhor remédio, temos, aqui, uma ‘farmácia’ perfeita para cuidar das apreensões da vida. A posologia é simples: uma dose diária de leitura bastará...”

Qualquer um pode comprar o livro “Meus Irmãos, os  Trovadores”, Vol.III – HUMOR por R$ 40,00 entrando diretamente em contato com a Presidente Nacional da UBT por e-mail: domitillabeltrame3@gmail.com 

Assim é que a UBT se tornou uma “rede literária” internacional, dedicada à Trova como Gênero Poético, a serviço da Língua Portuguesa, da cultura em geral, do entretenimento e da justiça social.   

Por curiosidade, confira uma das trovas de humor dos cinco Trovadores:

De Bartolomeo Martins (Bartho)       Na Quaresma sempre vem
                                                            cefaleia sem igual
                                                            motivado (sei eu bem!)
                                                            por goles no Carnaval.                                                          
.    
De João Vitor Rossi       Fui passear na montanha,
                                        passei por campos e mato.
                                        Quem passeia sempre ganha:
                                        ganhei até carrapato...
    
De Maria Ignez Pereira       O carro virou paçoca
                                              numa trombada invulgar:
                                              – Socorro! geme a dondoca.
                                              – Roubaram meu celular!
    
De Mayra Fernandes (M.Ap. Fernandes Ramos)     Um vendedor bem folgado
                                                                                   insistiu para eu comprar
                                                                                   um pó-de-arroz importado
                                                                                   pra  feiúra eu disfarçar.
De Roberto Nini     Folgadão, metido a rico,
                                 vivia buscando luxo;
                                 de bens, só tinha um penico,
                                 sem levar nada no bucho! 


Maria Ignez Pereira (Membro da Academia Guaçuana de Letras)