segunda-feira, 10 de julho de 2017

TEMPOS ...



TEMPOS...

Há debaixo do Sol tempos de emoção:       
Há tempo de medo e de destruição,               
Há tempo de injustiça e de negação,
Há tempo de ódio e expatriação,                  

Há tempo de covardia e traição,                   
Há tempo de  hipocrisia e convulsão,                               
Há tempo de massa de manipulação,        
Há tempo de derribar e de edificação,

Tempo de rir e de lamentação,                  
Tempo de calar e de exclamação,
Tempo de buscas e de perdição,                  
Tempo de trabalho e de fadigação,

Tempo de esfalfar-se e de estagnação,
Tempo de paz e de social convulsão,
Tempo de crise e de radicalização,
Tempo em recair em civil revolução.

Tempo de tudo antes da valoração,
Tempo de o povo pensar com o coração,
Morrer ou libertar os filhos eis a questão.

Tudo tem a maldita causa na corrupção,
Tempo de sangrar o povo na tributação,
Tempo do cínico poder da imposição.

Tempo de um país continente sem condão,
Tempo do povo dar resposta a esta aflição,
Tempo de vingar nas urnas, sem fraudação.

Tempo de dar nome à baderna em evolução,
Tempo de acabar c’oa propina feita em bilhão
Tempo de ver no final do túnel o justo clarão!

[M.M.S]







SEJAS COMO O VENTO





SEJAS COMO O VENTO

Sejas como o vento;
ainda que por sua natureza
passe demasiado ágil pela vida...
Ainda assim sejas
tal como a aragem
que urgente desliza
sobrevoa e contempla,
as mais encantadoras paisagens.


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Oficina de Contação de Histórias da Biblioteca Municipal João XXIII

Acontece no Centro Cultural de Mogi Guaçu, nas dependências da Biblioteca Municipal João XXIII em toda terça-feira e quinta-feira a contação de histórias infantis com o contador de histórias e professor Marcos Cunha. 

O evento ocorre duas vezes ao dia, sendo a primeira às 9h e a segunda às 14h. A contação de histórias é gratuita! Leve seu filho ou filha! 

O Acadêmico Paulo Scollo Jr (Paul Law) participou da contação de história infantil na parte da manha desta quinta-feira, dia 22 de junho de 2017.

Veja algumas imagens:

 
Marcos contou a história "Bonifácio, o porquinho" no dia 22/06/2017


"A Descoberta de Roberta" foi a história do dia 20/06/2017

Crianças atentas

Os pais participam 

Ótima atividade cultural para todos!

Fique por dentro acompanhando a página oficial do evento no Facebook:

https://www.facebook.com/Oficina-de-Conta%C3%A7%C3%A3o-de-Hist%C3%B3rias-1552865361617293/

Fica o registro e o convite. 
Abraço.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

QUANDO AS FOLHAS DO BORDO CAEM




















QUANDO AS FOLHAS DO BORDO CAEM

Esquecemo-nos às vezes,
O que é preciso conhecer
Sobre o que nos vai à alma,
Para em segredo  se dizer.

É visto que a vida corre,
E aos que nos ladeiam,
Como estão sempre cá,
Esvai o amor que anseiam.

Em algum dia tudo se vai,
O que era não mais será,
Como a folha seca que cai,
E o Tempo invisível levará.

Queria eu poder cuidar de ti,
Tal a folha seca já não posso
Tal ao bordo outonal te perdi...
 Vão esperar dela o regresso.

Segue ágil o rio como benção,
Murmúrios em seu caminho,
As mãos de sombras como unção,

Vão pensando todas as feridas
Abertas, doridas, em cada peito,
Herdadas de nossa própria vida.

[Mauro Martins S.]




domingo, 18 de junho de 2017

PAGAMOS UM PREÇO ALTO PELA VIDA




PAGAMOS UM PREÇO ALTO PELA VIDA

Mauro Martins Santos*


Quando você vem para dormir após uma noite inteira de trabalho, outros seguem o fado de acordar para o trabalho.  É a sua vez de dormir, não está "de folga", está apenas aguardando para voltar a trabalhar, trabalhar para pagar impostos diretos de seu soldo e sobre todas as coisas a que basta abrir a porta...

As ruas das cidades foram todas “loteadas” por demarcações de estacionamentos feitos pelas prefeituras. Radares praticamente a cada dois postes. Guardas municipais multando aleatoriamente. 

Você pede aos céus para que hoje não seja assaltado por menores de 17 anos e  mês para fazerem 18 anos, armados com revólveres nos sinais vermelhos ou redutores de velocidade. 

Entre tais "menores de idade" existem aqueles que não foram registrados, ou se registrados, o foram aleatoriamente e erradamente; que saem ilesos, primeiro que você mesmo, da delegacia de polícia, por serem menores de idade - e nem eles mesmos sabem quantos anos tem de fato - mas alegam ser menores... e o sendo, coitados daqueles que lhes põem algemas ou os conduzirem na "gaiola" do carro-de-presos. Mais rápido que um cometa, estarão representantes dos direitos humanos, do Estatuto da Criança e do Adolescente, prontos para pedir indiciamento dos policiais que os apreenderam. Não importa que tenham cidadãos ou policiais mortos ou feridos, na resistência ao roubo, ou à prisão. 

Saem rapidinho da delegacia com seus protetores e defensores, e os delinquentes prometendo lhe matar por você ser culpado deles terem ido até a delegacia. 

Saindo de lá você já pede proteção aos anjos, com os vidros do carro abaixados. Mas o que você pode fazer contra armas de fogo? Algumas pessoas sangrando na delegacia por terem tido menor sorte que você.

Mas por pouco tempo você vai tentar dormir em sua casa que pensa ser sua, mas durante a vida pagará impostos por ocupar o solo do município - durante esse tempo pagará ao poder público mais do que pagou por sua casinha financiada. Depois vêm água e luz superfaturadas. Taxa de esgoto, de guia, de asfalto, de calçada. Sem falar em todos os impostos outros, desde uma latinha de massa de tomates até seu plano de saúde para viver mais um pouco - se os assaltos e invasão por bandidos à sua casa permitirem essa graça e benção, que é continuar vivo, nos dias atuais.

Sobre seu carro, aquele que envelheceu contigo, pagará todos os impostos que os órgãos estaduais e federais de trânsito acham por bem fixar.

Um automóvel "é uma galinha dos ovos de ouro" desde a retirada da agência - onde você paga os impostos sobre o carro e os embutidos da agência revendedora. Pagará ao governo, imposto sobre a chapa da carroceria, sobre a tinta, sobre vidros do faróis e em geral, sobre os pneus, enfim todas as peças [por isso a fábrica leva o nome de montadora]. 

Também frente à galinha dos ovos de ouro, desativaram tudo o que eram ferrovias de passageiros, que serviam de modo barato aos menos favorecidos por poderem ser composição mista (carga e passageiros) e com isso enricava menos os políticos, pela durabilidade de uma ferrovia, e a compleição estrutural dos trens; rodas que duram anos e anos, não há pedágios, nem asfalto feito por empreiteiras, aonde se vai ao piso rodoviário composição de petróleo, etc. 

Você sai dirigindo da agência após pagar tudo de tudo, até a gasolina que puseram para você chegar ao primeiro posto e abastecer o tanque. Ali pagará um imposto muito alto sobre o combustível. Mas, antes de chegar ao posto de combustíveis, você passou a 47 km/ hora, em um local que antes tinha sido fixado a 60 km/hora - a prefeitura precisa de dinheiro e o trânsito é um verdadeiro “caça-níquel” e uma indústria de multas. A eterna velhacaria dos poderes públicos.

Você já está multado por excesso de velocidade. Abastece seu veículo. A empresa em que trabalha fica no Distrito Industrial à margem da rodovia. Pagará o pedágio - um dos quatro instalados na mesma Rodovia-SP num trajeto de 76 km. Muito usada por turistas e viajantes em fins de semana, feriadões prolongados, em demanda a localidades de Minas Gerais.



As cidades multam e arrecadam de você até mais que as estradas, pelo fato de que nas rodovias a viajem de lazer é em finais de semana e feriados. Na cidade é diariamente. Há cidades inclusas em rotas de turismo que chegam ao cúmulo de fixar a 20 km/hora em suas ruas. E as cidades que nada oferecem aos seus munícipes vêm procurando imitar. Cresce geometricamente o número de veículos nas ruas (alegria dos prefeitos e governadores) e aritmeticamente melhorias das vias, construção de avenidas e escoamento do trânsito. 

A sinalização vem contra motoristas e a favor das secretarias das vias urbanas, e de resto as estaduais - nas cidades do interior os responsáveis pelo trânsito não têm experiência nenhuma de trânsito, são às vezes um comerciante, um ex-vereador, alguém que se alvora conhecer trânsito. No máximo, dentre todos, um engenheiro civil desde que seja ele e os antes citados - "amigo do rei"  

Por isso há tantos insones, muitos depressivos, outro tanto de agressivos, e até engrossando a estatística os que desenvolvem manias. 

A maioria dos males e impostos tem, sobretudo origem no trânsito que regula os bens e serviços. De propósito os alcaides instalam tantos radares com o escopo de tomar de modo fácil o dinheiro de seus munícipes, mas com a desculpa de coibir excessos de velocidade. Claro que quem paga o pato são os cidadãos corretos e responsáveis, os inconsequentes, com radar ou sem radar vão continuar a praticar excessos de velocidade, sobretudo quando drogados e embriagados. Para eles não vale sinal e sim lei mais rigorosa a partir do simples inquérito policial. Fortalecer-se o Ministério Público em geral, mas não se esquecendo das Primeiras Instâncias, onde nós do interior já estamos vivendo também o “Inferno de Dante.”

Por outro cenário da vida, a insônia e um grande descontentamento toma conta de você, quando pensa em suas contas a pagar e receber seu salário praticamente pela metade, reduzido pelos impostos compulsórios em folha, a carga exagerada de tributos: sejam municipais, estaduais e federais, que cobram e não contrapõem os serviços essenciais e básicos à vida dos cidadãos. 

Aí você ainda tem um sobressalto, se esqueceu de pagar - o plano funerário de cemitério particular - no banco, que cobra uma taxa  alta  em juros de mora.

Sim, até para morrer e ser enterrado de forma indigna no cemitério municipal,  ao pobre e aos que ficaram pobres, o preço é fica sendo caro. Claro, tem muita gente que não tem dinheiro para enterrar seus mortos. Esses vão para a cova comum para pagar menos. Aquelas covas que em pouco tempo retiram a ossada, e deixam em sacos de lixo preto, até a família decidir se vai pagar o nicho do paredão vertical, ou os ossos vão para o poço do ossuário, jogados na mistura de centenas de outros restos de esqueleto anônimos. 

Triste fim dos que labutam e pagam seus impostos a vida inteira, num país desordenado, sem rumo, sem perspectivas de melhora antes de 2028 para os mais otimistas, cujo estrago foi produzido em 12 anos no Brasil, na maior corrupção de sua História e que não tem notícia de similar instalada em qualquer outra uma nação do mundo - pela complexidade dos delitos e o imenso número de corrompidos e corruptores em um sem fim de instituições públicas e privadas.
__________________________________________________

Cap.Vet PMESP, Bel em Direito especializado em Direito de Trânsito
Membro da Abetran [Associação do Educadores de Trânsito - Brasília]
Ex-professor de Legislação de Trânsito e materias correlatas do SENAC e PMSP Administrador deste Blog e articulista de assuntos do Trânsito em Jornais da Região


terça-feira, 13 de junho de 2017

MEUS OLHOS SE TORNARAM MAIS SÁBIOS




MEUS OLHOS SE TORNARAM MAIS SÁBIOS

Quando iniciamos bem jovens a vida em sociedade somos cheios de perguntas e dúvidas e muitas que classificamos como urgentes e não obtínhamos convencimento, porque nos falavam pela metade, como se a outra metade só nos fosse concedida ao nos tornarmos adultos.

Depois, na idade adulta sabendo muita coisa, não atinávamos porque perguntávamos tantas bobagens, e a elas dávamos tanta importância.

Hoje o que chamo mesmo de velhice, sem as hipocrisias e mimos cínicos - e, às vezes até hipócritas - dos apelidos: “maturidade adulta”, “terceira idade” e a terrível “melhor idade”, dispensamos os preconceitos, todos os conceitos, e muito mais as “definições”. E quem disse que existem definições, se até o Universo está em movimento e processo de expansão, portanto se modificando. Nada é definitivo para se definir. Como o caso de pareceres, como diz o nome, que não são leis, apesar de muitos assim o acharem. Claro, em seus benefícios. Parecer... Parece mas não é...

O que existe, na realidade, são buscas. Arqueólogos descobriram crânios de “homo sapiens” que retrocedem em milênios às atuais peças dadas como as mais antigas já descobertas, derrubando as definições de serem as mais antigas comprovações de espécimes da vida humana.

A cada novo fato humano, a cada nova descoberta científica e no campo das invenções mais se confirma que ninguém sabe nada, apenas pensa que sabe. Como então definir, dar a palavra final a um anterior conceito, a um anterior parecer. Existe para indicar isto o neologismo já incorporado no idioma, muito usado na imprensa: o tal"achismo". 

Na própria justiça, área humana não exata, mas que deveria tal como a medicina, haver o menor dos menores erros... há divergência de procedimentos e intervenções. Na Justiça brasileira, em seu mais alto tribunal as duas turmas de ministros dão seus vereditos de formas diferentes, divergentes a fatos símiles...Como imaginar então que algo abaixo dos céus possa ser definitivo?

Voltando aos velhos - aqueles que os apelidam, na maioria são jovens: homens e mulheres “sarados”, malhados, modelados por constantes e diárias frequências nas academias de ginástica até o ápice da deformação do visual físico. Não sabem o que penso nem é bom saber; quando me vêm com o apelido - ”melhor idade”. Quando não, senhorinhas que querem se fazer de boazinhas vêm com essas tiradas por cima dos velhos, ressalvadas algumas exceções. 

Reparem que os velhos tem: "mãozinhas", "cabecinhas" "bracinhos" "perninhas" - para as enfermeiras, cuidadoras, assistentes sociais, etc. "Dá o bracinho vai ser só uma picadinha."  Na verdade se escondem atrás desse "grande e apaixonado amor" aos velhos. Não se pode generalizá-los a todos como deficientes, caducos, desmemoriados ou algum idiota.  Se a velhice não é a pior idade - eu próprio não acho isso - também sinceramente, de melhor não tem nada. Mas tais atitudes até debocham com os pobres idosos. Grande número deles ativos nos sentidos e intelectualidade.

Porém, as dores que os sarados não maginam, nós sentimos. As dificuldades, que não existiam quando éramos jovens, ou mais jovens, nós hoje temos. São limitações puramente normais à idade.

“Pero no me gusta el término "mejor edad", sin embargo y punto."

Por essa razão um velho que é Velho, e sabe o que sabe, e conhece seu lugar no tempo e no espaço, não mais se interessa por perguntas, nem por centenas de respostas à mesma pergunta. Eis o que relego como presunção de querer-se definir alguma coisa.
Não que saiba muito, ou pouco de tudo, é uma somatória de experiências com conhecimentos adquiridos para aperfeiçoar a vida em sociedade até o extremo final.

Interessa-me - e aos velhos interessa - a contemplação e observação do todo diante de nós, onde contém silenciosamente todas as respostas que nos dão prazer. Nada excluo do que meus olhos podem se tornar mais sábios, eles me conduzem na travessia até o incógnito destino.


Fernando Pessoa "O Eu Profundo" (Por Cid Moreira)